Com calor intenso e pouca chuva, produção de leite registra queda no norte do RS
Além do estresse térmico, a falta de chuva também impede a brota de novas pastagens
Publicado em 20 de fevereiro de 2026
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 A sequência de dias quentes e pouca chuva já provoca perdas de até 17% na produção leiteira no norte do Estado. Produtores relatam que o volume de leite está em 25 litros por animal, contra 30 litros produzidos em períodos sem estiagem.

Além do estresse térmico, a falta de chuva também impede a brota de novas pastagens. Os dois fatores têm reflexo direto na alimentação dos animais e, consequentemente, na produção do leite.

Em uma propriedade no interior de Marau, a família De Marchi precisou adaptar a base do pasto, suplementando com ração e silagem. Mesmo com a mudança no manejo, a produção segue em queda.

— Diminuiu bastante (a produção) por causa do sol, não por não ter oferta de pasto. O pasto tem, mas elas acabam não comendo porque ele está fibroso, por falta de chuva. Hoje está fechando nos cerca de 25 litros devido ao calor e ao estresse das vacas, elas não comem pasto suficiente — afirma a produtora Nádia De Marchi.

A silagem — técnica de conservação de forragem úmida — é uma alternativa de alimentação em períodos de seca, mas sai mais cara por exigir produção ou compra do preparo. Além disso, a mudança na alimentação descompassa a rotina dos animais.

Investimento para enfrentar o clima

No município de Água Santa, também no norte do Estado, a produção leiteira é uma das principais atividades rurais. Segundo a Emater/Ascar-RS, são 114 propriedades que têm o leite como carro-chefe da renda familiar.

É o caso do pecuarista Márcio Rodigheri, que há nove anos instalou um sistema de irrigação na área de pastagem da sua propriedade, o que garante a hidratação do capim e manutenção da qualidade do alimento para os animais.

— Ter irrigação numa propriedade em um momento como esse é o que está salvando muitos produtores. Nós vamos ampliar a área irrigada da propriedade, para ver se conseguimos passar mais tranquilamente por esses anos ruins — diz o produtor.

Com duas horas de funcionamento, o sistema aplica cerca de 20 milímetros de água na área. Porém, segundo Rodigheri, o retorno financeiro não tem atendido as expectativas devido ao valor baixo pago pelo litro de leite.

— Esse mês já eu recebi R$ 1,95 ao litro, mas já teve meses piores, né? Eu cheguei a receber R$ 1,87 ao litro de leite. Nos últimos dois meses subiu um pouco, só que ainda não é viável. A gente está pagando para trabalhar, porque o preço está muito defasado — acrescenta.

 

 

 

 

 

Foto – Reprodução/Arquivo

Fonte: GZH
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