Um levantamento realizado pela Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) revelou que 142 prefeituras gaúchas sofrem com a falta de óleo diesel em seus veículos funcionais. O dado, que representa 45% das administrações que participaram da pesquisa, acendeu um alerta sobre a continuidade de serviços essenciais no estado.
Das 497 cidades gaúchas, 315 responderam ao questionamento da federação, evidenciando um cenário de restrições operacionais em diversas regiões.
Diante da escassez, os gestores municipais informaram que estão priorizando o atendimento na área da saúde, especialmente o transporte de pacientes.
Em contrapartida, secretarias de obras e atividades que dependem de maquinário pesado tiveram seus serviços suspensos em parte das cidades. A Famurs manifestou preocupação com a manutenção deste cenário nos próximos dias, caso o fluxo de abastecimento não seja normalizado rapidamente.
Fatores econômicos e tensões internacionais
A crise de abastecimento é acompanhada por uma escalada nos preços. Segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o diesel atingiu o valor médio de R$ 7,26 por litro na semana iniciada em 15 de março, o maior patamar desde agosto de 2022.
Embora tenha havido uma leve oscilação para R$ 6,89 no último sábado, 21 de março, o mercado segue pressionado pela alta do petróleo no mercado internacional.
O principal impulsionador desta instabilidade é o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o barril do tipo Brent acima dos US$ 100.
Como o Brasil depende parcialmente da importação de diesel, a valorização da commodity impacta diretamente os custos internos e a disponibilidade do produto nas refinarias e postos de combustíveis.
Foto - Rovena Rosa/EBC