Aumenta projeção para formação de El Niño de alta intensidade para o final de 2026
Aquecimento do Oceano Pacífico pode superar recordes históricos e elevar volume de chuvas
Publicado em 08 de maio de 2026
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Novas simulações meteorológicas divulgadas pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo reforçam a probabilidade de um fenômeno El Niño rigoroso atingir o Hemisfério Sul a partir do final do inverno. Os dados mais recentes apontam que a temperatura do Oceano Pacífico pode registrar marcas superiores a 2°C acima da média, patamar que define episódios de forte intensidade.

Em relatórios anteriores, a variação estimada oscilava entre 1,5°C e 3°C, mas as projeções atuais elevaram esse intervalo para até 4°C, o que coloca em risco o recorde histórico de aquecimento estabelecido entre os anos de 2015 e 2016.

Embora a configuração do fenômeno seja considerada praticamente certa — com 90% de probabilidade estimada pela Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) a partir de agosto —, especialistas alertam que a precisão sobre os impactos regionais aumentará nas próximas semanas.

A partir de junho, será possível compreender com maior clareza a magnitude do evento. No entanto, ainda não há confirmação se o Rio Grande do Sul enfrentará cheias tão severas quanto as registradas em 2024, uma vez que tais desastres dependem também de fatores atmosféricos de curto prazo, como bloqueios que podem concentrar o volume de chuva em áreas específicas.

Excesso de umidade deve impactar o calendário agrícola gaúcho

A perspectiva de uma primavera excessivamente chuvosa, potencializada pelo El Niño, apresenta desafios imediatos para o setor produtivo no Rio Grande do Sul. Meteorologistas e consultores agrícolas indicam que a próxima safra de soja pode sofrer atrasos significativos no cronograma de plantio devido à saturação do solo.

O cenário exigirá um planejamento técnico rigoroso por parte dos agricultores, que precisarão selecionar variedades de sementes com maior resistência ao excesso de umidade na fase inicial de desenvolvimento das lavouras.

Além da pluviosidade elevada, o fenômeno costuma trazer temperaturas mais altas, o que pode ser aproveitado para a produtividade caso o manejo técnico seja eficiente.

O setor agropecuário gaúcho, que enfrentou instabilidades climáticas severas nos últimos anos, terá na adaptação tecnológica a principal ferramenta para mitigar os riscos de perdas.

A orientação é que os produtores monitorem as atualizações climáticas de curto prazo para ajustar as janelas de semeadura e garantir a estabilidade econômica da nova temporada.

Fonte: Com informações LA+
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